Quarta-feira, Junho 13, 2007

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Escrito por Micas em 10:14:40 | Link permanente | Comments (0) |

Sexta-feira, Junho 01, 2007

E porque hoje é dia da criança...

HISTÓRIA DO SR. MAR

Deixa contar...
Era uma vez
O senhor Mar
Com uma onda...
Com muita onda...
E depois?
E depois...
Ondinha vai...
Ondinha vem...
Ondinha vai...
Ondinha vem...
E depois...

A menina adormeceu
Nos braços da sua Mãe...

Matilde Rosa Araújo

 

SEGREDO

 

Sei um ninho.
E o ninho tem um ovo.
E o ovo tem lá dentro um passarinho
Novo.

Mas escusam de me atentar:
Nem o tiro, nem o ensino.
Quero ser um bom menino
E guardar
Este segredo comigo
E ter depois um amigo
Que faça o pino
A voar...

Miguel Torga

 

Escrito por Micas em 12:03:37 | Link permanente | Comments (0) |

LIBERDADE

 

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada.
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.

O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por Dom Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca....

Fernando Pessoa

 

Escrito por Micas em 11:59:05 | Link permanente | Comments (0) |

O SONHO

 

Pelo sonho é que vamos,
Comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não frutos,
Pelo Sonho é que vamos.

 

Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
Que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
Com a mesma alegria, ao que é do dia-a-dia.

 

Chegamos? Não chegamos?

 

-Partimos. Vamos. Somos.

 

 

 

Sebastião da Gama

 

Escrito por Micas em 11:57:43 | Link permanente | Comments (0) |

Autor desconhecido

Escrito por Micas em 11:50:33 | Link permanente | Comments (0) |

Quinta-feira, Maio 31, 2007

Pequenas papoilas, pequenas chamas infernais,

sois inofensivas?

 

Estremeceis. Não posso tocar-vos.

Ponho as minhas mãos por entre as chamas. Mas nada

queima.

                                    

E fico exausta quando vos vejo

estremecer assim, pregueadas e rubras como a pele da

boca.

                                

Uma boca há pouco ensanguentada.

Pequenas orlas de sangue!

 

Há nela um fumo que não consigo tocar.

Onde está o vosso ópio, as vossas cápsulas nauseabundas?

 

Se eu pudesse esvair-me em sangue ou dormir!...

Se a minha boca conseguisse desposar uma tal ferida!

 

Ou os vossos licores me penetrassem, nesta cápsula de

vidro,

trazendo-me a acalmia e o silêncio.

Mas sem cor. Sem nenhuma cor.

 

Sylvia Plath

Escrito por Micas em 14:55:25 | Link permanente | Comments (0) |

Duas mãos que se entrelaçam, e nada entre elas.
Uma alma sem corpo poderia cruzar-se com outra alma
neste ar límpido e sem disso se aperceber...
Uma alma atravessa a outra, efémera como fumo
e totalmente ignorante do caminho que seguia.

Sylvia Plath

 

 

Escrito por Micas em 14:52:23 | Link permanente | Comments (0) |

Espero sempre por ti o dia inteiro, 
Quando na praia sobe, de cinza e oiro
O nevoeiro
E há em todas as coisas o agoiro
De uma fantástica vinda.
 
Sophia de Mello Breyner



Escrito por Micas em 14:48:40 | Link permanente | Comments (0) |

 

Num deserto sem água

Numa noite sem lua

Num país em nome

Ou numa terra nua

 

Por maior que seja o desespero

Nenhuma ausência é mais funda do q a tua.

 

Sophia de Mello Breyner Andresen



 

 
Escrito por Micas em 14:44:35 | Link permanente | Comments (0) |

Chamo-Te porque tudo está ainda no princípio
E suportar é o tempo mais comprido.

Peço-Te que venhas e me dês a liberdade,
Que um só dos teus olhares me purifique e acabe.

Há muitas coisas que eu quero ver.

Peço-Te que sejas o presente.
Peço-Te que inundes tudo.
E que o teu reino antes do tempo venha.
E se derrame sobre a Terra
Em primavera feroz pricipitado.

Que nenhuma estrela queime o teu perfil
Que nenhum deus se lembre do teu nome
Que nem o vento passe onde tu passas.

Para ti criarei um dia puro
Livre como o vento e repetido
Como o florir das ondas ordenadas.

 

Sophia de Mello Breyner Andresen



Escrito por Micas em 14:43:26 | Link permanente | Comments (0) |